Fome emocional: o fenómeno do binge-eating



    A alimentação é uma necessidade básica, fundamental para garantir o bom funcionamento do nosso organismo. No entanto, quando os comportamentos alimentares tornam-se excessivos (e incontroláveis) podem se tornar um problema grave para o indivíduo.

O que é?

    O binge eating (Transtorno de Compulsão Alimentar) define-se pela ingestão de uma grande quantidade de alimentos durante um curto período de tempo, com o objetivo de preencher o "vazio" emocional. Na base deste comportamento está um indivíduo com um sofrimento emocional muito grande, e altos níveis de stress.

    Os sintomas deste transtorno incluem: a ingestão rápida da comida, a ingestão de grandes quantidades de alimentos sem fome e comer até se sentir "desconfortavelmente" cheio. Como resultado, a pessoa tende a sentir-se culpada e/ou envergonhada dos seus excessos alimentares, com uma baixa auto-estima, oscilações constantes de peso, etc.

    O binge eating surge frequentemente associado a outro tipo de perturbações como: a depressão, a ansiedade, o transtorno bipolar e o transtorno de personalidade borderline, e daí a importância do processo terapêutico ter em conta todo o diagnóstico do sujeito.


O que fazer?


    Caso um indivíduo se identifique com os sintomas descritos acima, ou que seja diagnosticado com um Transtorno de Compulsão Alimentar,  há uma série de estratégias que pode pôr em prática com vista a combater este tipo de comportamentos:
  1. Distinguir a fome emocional da fome física. Sempre que sentir vontade de comer, questione-se a si próprio: "Estou realmente com fome, ou é apenas um impulso emocional?". Caso se trate de fome física, ela pode ser saciada com uma simples peça de fruta, enquanto que a fome emocional costuma levar-nos a ingerir alimentos ricos em açúcar e gorduras.
  2. Priorizar alimentos. Quando nos sentirmos com fome devemos optar por alimentos ricos em fibra como fruta, hortaliça e verdura. Desta forma sentimo-nos mais saciados, o que nos leva a ficar menos vezes com a sensação de "vazio".
  3. Tentar compreender a origem do sofrimento emocional. O ser humano tende a cometer excessos alimentares quando está sob situações de grande stress e angústia, por isso é necessário tentar compreender o motivo por detrás da fome emocional (problemas laborais, financeiros, no seio familiar...?).
  4. Praticar atividade física. Praticar exercício físico ajuda a combater a compulsão alimentar, visto proporcionar grandes sensações de prazer e bem-estar.
  5. Planear horários certos para comer, e não saltar refeições. Arranjar uma rotina para a hora da refeição vai diminuir os comportamentos de binge eating, e trazer maior estabilidade emocional.
  6. Ter o apoio de amigos e familiares, que ajudem a pessoa a manter hábitos alimentares saudáveis.

    Contudo, há que ter em conta que o Binge eating é um transtorno psicológico, e por isso há vários fatores que podem estar na sua origem. O tratamento psicológico torna-se, assim, essencial neste processo, pois vai permitir compreender a raiz do sofrimento do sujeito, e combater o seu vazio emocional.

    O ser humano é um animal complexo, mas tem em si a chave para resolver todos os seus desafios e adversidades. Atreve-se a enfrentá-los? 😉

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