Qual o papel de um psicólogo clínico?
Muitas pessoas desconhecem o que é que um psicólogo clínico realmente faz. É frequente que ele seja visto como "o médico dos malucos", que apenas trata de pessoas que não estão mentalmente sãs, ou ainda confundido com psiquiatras, cujo atuação apesar de ser complementar à da psicologia é muito diferente na sua prática.
Este artigo pretende, assim, desmistificar o papel do psicólogo clínico, e falar um pouco sobre como é feita a intervenção psicológica.
O que é um psicólogo clínico?
Um psicólogo clínico é um profissional de saúde mental com especialização em Psicologia Clínica, que visa compreender e atribuir um sentido ao comportamento humano, e ao mesmo tempo tratar perturbações psicológicas e emocionais.
Desta forma, ele pretende não só dar-nos as ferramentas necessárias para melhorarmos aspetos da nossa vida (pessoal, profissional, familiar, amorosa, etc.), como também melhorar a nossa saúde mental.
Como é feita a sua intervenção?
A atuação de cada psicólogo clínico vai variar consoante a sua abordagem, e técnicas decorrentes. Na Psicologia, as metodologias mais frequentemente utilizadas são a abordagem psicanalítica, cognitivo-comportamental, sistémica, existencial, etc. Sendo que cada abordagem clínica tem a sua explicação do comportamento humano, e por consequente, a sua forma de intervenção.
Por exemplo, caso o psicólogo se identifique com uma abordagem cognitivo-comportamental, isto significa que, em sessão, ele tem um papel activo e pedagógico no sentido em que ensina ao paciente formas mais adequadas de viver a sua vida; identifica e avalia crenças do sujeito, e como estas interferem no seu comportamento. Segundo esta teoria, o tratamento psicológico passa por desafiar os pensamentos 'automáticos' e recorrentes do indivíduo, e ajuda-lo a substituir por pensamentos mais positivos e saudáveis.
No entanto, há uma série de pressupostos base, comuns a todas as práticas psicológicas. Cabe, por isso, ao psicólogo clínico:
- Fazer uma entrevista clínica. A primeira consulta de psicologia tende a ser mais demorada que as restantes. Isto porque no primeiro contacto com o paciente realiza-se a entrevista clínica, onde é feita a recolha de dados sobre a sua história de vida e problemática. A empatia e a escuta ativa são conceitos-chave para o estabelecimento de uma boa relação terapêutica;
- Procurar as técnicas mais adequadas para a intervenção (tendo em conta a problemática clínica, e as especificidades do paciente). Há que ter em conta que o ser humano é um animal complexo, e por isso cabe ao profissional de saúde adaptar a sua abordagem em função do cliente que tem à sua frente, com o objetivo de proporcionar o tratamento mais adequado para ele. Algumas das técnicas usadas por psicólogos são: a anamnese (entrevista que tem como objetivo estabelecer um diagnóstico clínico), a observação de comportamentos, a associação livre de ideias (onde o psicólogo encoraja o paciente a dizer em voz alta o que vem à sua mente), etc.;
- Realizar avaliação psicológica. Sempre que necessário, o psicólogo deve complementar a sua intervenção com a aplicação de testes psicológicos, com o objetivo de avaliar certos aspetos da personalidade do paciente;
- Respeitar o Código Ético e Deontológico da Ordem dos Psicólogos. Cabe também ao psicólogo garantir o consentimento informado (que visa assegurar a ética e moral do psicólogo), a confidencialidade de toda a informação recolhida sobre o cliente, e a boa prática em psicologia.
- Realizar uma aprendizagem/formação contínua. Em psicologia é também necessário a atualização contínua dos nossos conhecimentos, seja através de cursos de especialização, pós-graduações, participações em congressos e eventos, etc. Só desta forma é possível uma melhoria na intervenção psicológica, e o desenvolvimento constante do técnico.

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